Perdizes / Pompéia / Pacaembu

Blog dedicado ao resgate da história dos bairros de Perdizes, Vila Pompéia, Pacaembu, Barra Funda, Vila Romana, Lapa e Sumaré, na zona Oeste da cidade de São Paulo. Bairros que cresceram e esqueceram sua história...

Perdizes / Pompéia / Pacaembu

Blog dedicado ao resgate da história dos bairros de Perdizes, Vila Pompéia, Pacaembu, Barra Funda, Vila Romana, Lapa e Sumaré, na zona Oeste da cidade de São Paulo. Bairros que cresceram e esqueceram sua história...
<  Junho 2009  >
S T Q Q S S D
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30          
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

19.08.06

Saudades da Vila Pompéia!

          O bairro tranqüilo com quadras geometricamente perfeitas, apenas sobradinhos, a maioria geminados, além de algumas vilas de casas e poucos predinhos, de três a cinco andares, assim eram as ruas do meu bairro. O nome da Vila Pompéia foi homenagem do loteador, uma prova de amor a sua esposa, Aretuza Pompéia, que cedeu o seu sobrenome ao bairro que surgia. Algumas ruas ganharam também o nome de familiares seus, entre elas, a Raul Pompéia. As ruas eram calçadas com paralelepípedos, pacatas e muito arborizadas, onde vivia gente de verdade! Sim, afinal os vizinhos se conheciam, paravam na rua para conversar, saber como estava a família. Nesta época se trocavam receitas e, também, pratos saborosos recém preparados. Uma verdadeira festa gastronômica entre húngaros, italianos, portugueses e espanhóis, além de alguns poucos japoneses, esses bem mais reservados. Os moradores conversavam ao entardecer em suas portas, após o dia árduo de trabalho, alguns traziam cadeiras, não havia medo da violência e ninguém se prendia a programação da televisão, o rádio era o grande companheiro.
            Não conhecíamos problemas como trânsito, poluição, sujeira nas ruas, drogas, violência ou roubos? Existia sim, o respeito entre os vizinhos que se conheciam. Ninguém deixava a calçada com buracos, não se estacionava em frente às garagens, mesmo que notoriamente não houvesse carro e, não se permitia que cães sujassem os passeios o bairro era de todos. Como se dizia na época, todo mundo tinha vergonha na cara! Malandragens não eram aceitas, quem andava fora da linha ficava marcado pelos olhares de reprovação. E como era raro ver uma viatura de polícia, os fusquinhas: laranja e preto da PM, ou branco e preto da Polícia Civil, só cruzavam o bairro rumo a outros destinos.
           O comércio era uma raridade, era um bairro de residências. Só existiam algumas vendinhas e quitandas com as 'cadernetas', onde se comprava a prazo, na confiança. Não existia supermercados, apenas o São Jorge e o Gigante, ambos em Perdizes, que já não existem mais. Nas suas minguadas prateleiras apenas o básico, poucas marcas e produtos e com poucas opções éramos felizes. Nem a avenida Alfonso Bovero tinha comércio, apenas dois ou três bancos, as poucas lojas estavam espalhadas pelo bairro. A mais antigas era a Casa de Calçados Baptista, que por mais de cinco décadas calçou o bairro, com a chegada dos shopping fechou as portas. Andando um pouco em direção à Vila Romana sentíamos os aromas vindos da Petybom, uma delícia. Lá, baratinho se comprava biscoitos quebrados. Nos colégios públicos: Miss Bronwe, Cândido, Faria Lima, Zuleika e o Santos Dumont, várias gerações passaram por lá. O Palmeiras era o ponto da badalação com festas e torneios, todo mundo se conhecia e convivia bem.
           Os predinhos eram raros, contava-se nos dedos e, com isso, o bairro era ensolarado e ventilado, de qualquer ponto era possível se avistar longe, o horizonte, via de casa a Serra da Cantareira, o Pico do Jaraguá e os prédios da paulista. O céu era realmente azul e tinha estrelas. A avenida Sumaré completa só surgiu em 1978, apenas 28 anos, antes só havia o córrego com esse nome. Perdizes e Vila Pompéia, eram bairros bem distintos. A Diana era a separação, no lado par as ruas e a Vila Pompéia começavam, todas com nome de pessoas e, no lado ímpar, começa Perdizes e as ruas mudam de nome, todas de referências à tribos e personagens indígenas, exceção únicas: a Alfonso Bovero e Turiassu que cortam os bairros sem mudar de nome. Hoje a especulação imobiliária confunde os novos moradores, o subdistrito de Vila Pompéia é engolido pelo distrito de Perdizes, mais valorizado. Que saudades do sossego da minha Vila Pompéia...

pesquisa e fotografia- Carlos Alberto Praça

Nenhum comentário
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.