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O bairro tranqüilo com quadras geometricamente perfeitas, apenas sobradinhos, a maioria geminados, além de algumas vilas de casas e poucos predinhos, de três a cinco andares, assim eram as ruas do meu bairro. O nome da Vila Pompéia foi homenagem do loteador, uma prova de amor a sua esposa, Aretuza Pompéia, que cedeu o seu sobrenome ao bairro que surgia. Algumas ruas ganharam também o nome de familiares seus, entre elas, a Raul Pompéia. As ruas eram calçadas com paralelepípedos, pacatas e muito arborizadas, onde vivia gente de verdade! Sim, afinal os vizinhos se conheciam, paravam na rua para conversar, saber como estava a família. Nesta época se trocavam receitas e, também, pratos saborosos recém preparados. Uma verdadeira festa gastronômica entre húngaros, italianos, portugueses e espanhóis, além de alguns poucos japoneses, esses bem mais reservados. Os moradores conversavam ao entardecer em suas portas, após o dia árduo de trabalho, alguns traziam cadeiras, não havia medo da violência e ninguém se prendia a programação da televisão, o rádio era o grande companheiro.
Não conhecíamos problemas como trânsito, poluição, sujeira nas ruas, drogas, violência ou roubos? Existia sim, o respeito entre os vizinhos que se conheciam. Ninguém deixava a calçada com buracos, não se estacionava em frente às garagens, mesmo que notoriamente não houvesse carro e, não se permitia que cães sujassem os passeios o bairro era de todos. Como se dizia na época, todo mundo tinha vergonha na cara! Malandragens não eram aceitas, quem andava fora da linha ficava marcado pelos olhares de reprovação. E como era raro ver uma viatura de polícia, os fusquinhas: laranja e preto da PM, ou branco e preto da Polícia Civil, só cruzavam o bairro rumo a outros destinos.
O comércio era uma raridade, era um bairro de residências. Só existiam algumas vendinhas e quitandas com as 'cadernetas', onde se comprava a prazo, na confiança. Não existia supermercados, apenas o São Jorge e o Gigante, ambos em Perdizes, que já não existem mais. Nas suas minguadas prateleiras apenas o básico, poucas marcas e produtos e com poucas opções éramos felizes. Nem a avenida Alfonso Bovero tinha comércio, apenas dois ou três bancos, as poucas lojas estavam espalhadas pelo bairro. A mais antigas era a Casa de Calçados Baptista, que por mais de cinco décadas calçou o bairro, com a chegada dos shopping fechou as portas. Andando um pouco em direção à Vila Romana sentíamos os aromas vindos da Petybom, uma delícia. Lá, baratinho se comprava biscoitos quebrados. Nos colégios públicos: Miss Bronwe, Cândido, Faria Lima, Zuleika e o Santos Dumont, várias gerações passaram por lá. O Palmeiras era o ponto da badalação com festas e torneios, todo mundo se conhecia e convivia bem.
Os predinhos eram raros, contava-se nos dedos e, com isso, o bairro era ensolarado e ventilado, de qualquer ponto era possível se avistar longe, o horizonte, via de casa a Serra da Cantareira, o Pico do Jaraguá e os prédios da paulista. O céu era realmente azul e tinha estrelas. A avenida Sumaré completa só surgiu em 1978, apenas 28 anos, antes só havia o córrego com esse nome. Perdizes e Vila Pompéia, eram bairros bem distintos. A Diana era a separação, no lado par as ruas e a Vila Pompéia começavam, todas com nome de pessoas e, no lado ímpar, começa Perdizes e as ruas mudam de nome, todas de referências à tribos e personagens indígenas, exceção únicas: a Alfonso Bovero e Turiassu que cortam os bairros sem mudar de nome. Hoje a especulação imobiliária confunde os novos moradores, o subdistrito de Vila Pompéia é engolido pelo distrito de Perdizes, mais valorizado. Que saudades do sossego da minha Vila Pompéia...
pesquisa e fotografia- Carlos Alberto Praça
criado por carlosalberto.praca
22:44:51