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Foto da 'Casa das Caldeiras' das 'Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo' (IRFM), que ocupava 113.721 m², sendo 96 mil m² de área construída.
Avenida Água Branca, mas pode chamar de Francisco Matarazzo
Uma das principais vias do bairro aberta no final do século XIX, recebeu em 1899, do prefeito Antônio Prado, o nome de Avenida Água Branca. No dia 16 de agosto de 1950, o vereador Aloysio Greenhalg apresentou o projeto de lei 175/49, sugerindo que a Prefeitura fizesse uma homenagem a Francisco Matarazzo, com um busto e a mudança do nome do logradouro onde ele fosse instalado. Como na Avenida Água Branca ficava uma das sedes das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo ocorreu à proposta de alteração. Ocorreu um grande debate entre os vereadores em duas nas sessões, nos dia 14 e 16 de agosto de 1950. Com título ‘Pioneiro da indústria brasileira’, um dos motivos da discórdia, o projeto de lei foi aprovado em segunda sessão.
‘Francisco’ (Francesco) Matarazzo nasceu em 1854 em Castellate, província de Salerno, na Itália. Chegou ao Brasil em 1881, com 27 anos, fixou-se em Sorocaba. Começou vendendo banha de porco utilizada na preparação de alimentos e para maior durabilidade do produto introduziu a embalagem de lata, substituindo as de madeira. Chegou à cidade de São Paulo em 1890 e se associou aos irmãos, José (Giuseppe), Luiz (Luigi) e Andrea, para criar a Matarazzo e Irmãos, com sede na rua 25 de março, em 1892. Estavam lançadas as bases do maior complexo industrial da América do Sul: as “Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo”.
A empresa importava trigo dos Estados Unidos e arroz da China. Em 1891 constituíram a Companhia Matarazzo S.A. com 43 acionistas. Em 1899 deu início à construção do Moinho Matarazzo, localizado no Brás, junto à linha da São Paulo Railway, que hoje abriga o hipermercado Extra. O empreendimento custou hum mil e quinhentos réis. No Moinho funcionavam também duas oficinas, a de consertos se transformou em 1902 em seção de metalurgia, e outra de sacaria que foi o embrião de sua tecelagem. No Brás, surgiu à fábrica de óleo Sol Levante, em 1907 e a Oficina Central. Ainda em 1900, com imigrantes italianos, formou o banco Banca Commerciale Italiana. Em 1905, formou outro banco, a Banca Italiana del Brasile, com 73 % dos ações.
Em 1911, cessou as atividades bancárias e constituiu a sociedade anônima denominada Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo (IRFM), como principal acionista dirigente, com apoio do seu filho Ermelino e o irmão Andrea. Expandiu seus empreendimentos para o Belenzinho em 1913, onde funcionava a Tecelagem Belenzinho e para o Paraná onde constituiu a subsidiária para estocar trigo importado da Argentina. Filiais da IRFM surgiram em Santos, Rio de Janeiro e Curitiba.
Em 1914 a IRFM inaugura a sua amideria, e, em 1915, a fecularia. Firmando sua posição de líder da colônia italiana doou um pavilhão ao Hospital Humberto I, que atendia basicamente as famílias imigrantes. Também em 1915 foram criadas as unidades fechadas de fábricas da IRFM. O primeiro núcleo desse tipo foi implantado em São Caetano, que produzia velas e produtos gordurosos. Nessa época já funcionavam na Mooca as fábricas de fósforo, o moinho de sal e a refinação de açúcar.
Em 1917 recebe do rei italiano o título de conde, que veio a somar-se ao de comendador. Também em 1917 começa a funcionar o Moinho de Matarazzo de Antonina, no Paraná, e em 1919 a Sociedade Paulista de Navegação Matarazzo Ltda., dando autonomia para empresa em todo país.
Em 1922, Francisco Matarazzo inicia suas atividades no ramo de bebidas com a fábrica de Licores Matarazzo, situada no Brás e cria a seção de Cinema nas IRFM, encarregada da distribuição de filmes norte-americanos no país todo. Em 1926, as IRFM abrem uma nova área de atuação, a indústria química, com a constituição da Viscoseda, em São Caetano, instalam a Oficina Mecânica e de Fundição na Água Branca.
Em 1927, as IRFM adquirem uma instalação industrial na então rua Amélia, Vila Romana, destinado à produção de louças, aparelhos sanitários e azulejos. Nos anos 30, Matarazzo comprou a Tecelagem Ítalo-Brasileira de Sedas, no Brás, e a Tecelagem Santa Celina no Belenzinho e associou-se a uma fábrica de óleo de algodão e sabão na Paraíba.
Em 1933 as IRFM entram para o ramo da indústria extrativa com a Fábrica de Cal Santana, em Santana do Parnaíba. Em 1935 com a aquisição de jazidas de caulim, quartzo, pedra argila e lenha na grande São Paulo. Em 1936 foi inaugurada uma fábrica de papel e papelão, no Belenzinho, e implantadas as primeiras máquinas de descaroçamento de algodão. O último empreendimento do Conde foi à instalação, em Limeira, de uma fábrica de extração de essências de frutos cítricos, de onde saiu um de seus produtos famosos, a "marmellata" de laranja.
Água Branca
Na antiga avenida Água Branca, hoje batizada como Francisco Matarazzo, surgiu um grande complexo industrial, que marcou a diversificação das atividades da IRFM. A indústria ocupou um terreno de 113.721 m², sendo 96 mil m² de área construída. A unidade fabril refinava sal, açúcar e banha; destilava álcool e aguardente; fabricava velas, glicerina, oleína, óleo de algodão, de linhaça, de rícino e de coco, sabão, sabonete, perfumaria; além de inseticidas e pregos. Também funcionavam as unidades de serraria, fundição, serralharia artística, oficinas mecânicas, laboratório químico e o almoxarifado geral.
Os setores do complexo industrial eram interligados por passarelas internas e a produção escoada por um ramal de trem particular, ligado à Estrada de Ferro Sorocabana. A arquitetura das instalações retratava os padrões da arquitetura industrial inglesa, marcada pela fachada de tijolos aparentes e esquadrias metálicas estreitas e muito altas, para iluminar o ambiente sem permitir a visão do exterior.
Em 1985 o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo) pediu o tombamento do imóvel, já desativado, para preservação arquitetônica da história da industrialização paulistana. No fim do processo em 1986, com revisões datadas de 1993, decidiu-se preservar apenas um dos galpões da fábrica, o prédio de caldeiras e as três chaminés de alvenaria refratária, com alturas variando de 46 a 54 metros, que compunham a central de vapor que produzia energia para alimentar as instalações.
Francesco morreu em 1937, em São Paulo, comentava-se na época que tinham 365 indústrias, uma para cada dia do ano. A sede administrativa do seu império, o Edifício Matarazzo, no viaduto do Chá, que hoje abriga a Prefeitura. O prédio onde iria funcionar uma Faculdade, localizada no bairro do Morumbi, acabou se tornando a sede do Governo Paulista.
Sede Administrativa das Indústrias Matarazzo comprada pelo Banespa, que foi comprado pelo Banco Santander e, repassado à Prefeitura. Na foto a iluminação especial do Natal 2005. Essa é a maior fachada revestida com mármore carrara no mundo:

criado por carlosalberto.praca
11:20:47