Perdizes / Pompéia / Pacaembu

Blog dedicado ao resgate da história dos bairros de Perdizes, Vila Pompéia, Pacaembu, Barra Funda, Vila Romana, Lapa e Sumaré, na zona Oeste da cidade de São Paulo. Bairros que cresceram e esqueceram sua história...

Perdizes / Pompéia / Pacaembu

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Arquivo de: Agosto 2006

26.08.06

É BARRA!

B A R R A   F U N D A...

            Nas últimas décadas do século 19 a cidade ocupou as várzeas dos grandes rios na cidade, surgiam novos bairros. Chácaras foram loteadas e a construção de estações de trem trouxeram atividades econômicas para estas regiões. O bairro da Barra Funda é um exemplo deste processo. No bairro se localizava a Chácara do Carvalho, divisão do antigo sítio de propriedade do Barão de Iguape, que abrangia ainda parte da Casa Verde e da Freguesia do Ó. Herdada por Antônio da Silva Prado, a sede da Chácara foi encomendada a Luigi Pucci em 1890, pouco tempo antes de suas terras serem loteadas.
            A ocupação do bairro está estreitamente ligada à construção de estradas de ferro para escoamento da produção do café na cidade. Em 1875, a estação Barra Funda da Estrada de Ferro Sorocabana foi inaugurada integrando o primeiro trecho da linha. A estação permaneceu como depósito e armazém de produtos transportados entre o porto e o interior até os anos 20 quando passou a transportar passageiros. Já a estação da São Paulo Railway inaugurada em 1892, bem próxima à estação da Sorocabana, onde hoje se encontra o viaduto Pacaembu, atendeu desde o início à crescente população do bairro atraída pela demanda de trabalho gerada nos armazéns das ferrovias e de particulares.
             Os primeiros habitantes da Barra Funda, após o loteamento da chácara, foram imigrantes italianos. Além dos trabalhos relacionados à ferrovia, estabeleceram nas suas casas serrarias e oficinas mecânicas que atendiam à população abastada dos Campos Elíseos. Porém, o que mais marca sua presença na Barra Funda é a construção civil. Até hoje a maior parte das casas do bairro possuem uma arquitetura simples com algumas características em comum: construções geminadas com entrada lateral, uma fileira de cômodos, uma cozinha, um quintal e um porão. Esta arquitetura é conhecida como "ponta de chuva", por serem as casas desenhadas pelos capomastri (mestre de obras) italianos com a ponta dos antigos guarda-chuvas na terra logo no início da construção.
               No início do século 20, as características do bairro começam a mudar. A população que era predominante branca passou a receber os primeiros negros, presença que se intensificou nas décadas seguintes. O sistema de transportes da região foi contemplado, em 1902, com o primeiro bonde elétrico de São Paulo que ligava a Barra Funda ao Largo São Bento. Acompanhando o trajeto do bonde, ruas como Barra Funda, Brigadeiro Galvão e Anhanguera, onde se localizava o ponto final, aglutinaram atividades comerciais e de serviços. O desenvolvimento deste pólo comercial, assim como sua proximidade dos bairros Higienópolis e Campos Elíseos, atraiu alguns representantes da classe média cafeeira e industriais que nesta região passaram a residir, enquanto estabeleciam suas indústrias do outro lado do bairro, a Barra Funda de baixo. A divisão do bairro data da construção das linhas de trem que separaram a região localizada entre a linha de trem e a marginal Tietê (Barra Funda de baixo) e a localizada entre a linha de trem e os Campos Elíseos (Barra Funda de cima). Por muito tempo foram ligadas por duas porteiras, uma na rua Anhanguera e outra na rua Assis. A parte de cima até hoje goza de maior infra-estrutura e poder aquisitivo.
              Diante da infra-estrutura que o bairro possuía e da concentração de mão-de-obra, as primeiras décadas do século 20 assistiram a uma ocupação industrial impressionante. Além das indústrias instaladas na própria Barra Funda, na Água Branca, um grande parque industrial foi erguido na década de 20: as Indústrias Reunidas Matarazzo. Com uma área de 100 mil metros quadrados, reuniam diversas atividades industriais e empregavam um grande número de moradores do bairro. Até uma estação de trem da São Paulo Railway foi construída dentro do parque industrial para o escoamento do que ali era produzido.
             Mas o desenvolvimento econômico da região seria abalado pela crise de 29. Os casarões da antiga classe média cafeeira foram abandonados e com o tempo se transformaram em cortiços. Indústrias fecharam ou transferiram suas atividades. Ao bairro restaram as oficinas mecânicas, serrarias, marcenarias e indústrias alimentícias ou têxteis de pequeno porte.
            No plano cultural, este período marcaria a história da música nacional. A região é considerada um dos berços do samba paulista. O Largo da Banana era o ponto de encontro para os sambas de rodas, rodas de tiririca (capoeira) e serestas. Conhecido assim pela venda de cachos de banana, o largo é louvado em sambas conhecidos, como nas letras de Geraldo Filme. Lá que foi fundado por Dionísio Barbosa o primeiro cordão carnavalesco paulista, o Grupo Carnavalesco Barra Funda. Formado por membros da população negra que se sentiam excluídos da Festa do Momo, o grupo teve que paralisar suas atividades nos anos 40 por problemas políticos. Reorganizado como Camisa Verde por Inocêncio Tobias, foi perseguido pela polícia política de Vargas confundido como simpatizante do Partido Integralista até a alteração do nome para Camisa Verde e Branco. O primeiro desfile do grupo data de 1954, na comemoração do IV Centenário de São Paulo.
                    Os anos 70 marcam a chegada dos migrantes nordestinos ao bairro. O pólo industrial ali localizado nas primeiras décadas do século sofreu um processo crescente de refluxo com o fechamento, transferência ou falências das unidades produtoras, o que propiciou uma maior ocupação residencial do bairro com a chegada dos novos habitantes. No início dos anos 80, o setor industrial se apresentava quase reduzido a zero na região. Porém, a partir de 1989 as coisas começariam a mudar. Foi inaugurado Terminal Intermodal Barra Funda que reúne todas as modalidades do transporte coletivo (metrô, trens de passageiros das antigas linhas Sorocabana e Santos-Jundiaí sob a administração da CPTM, transporte rodoviário, ônibus municipais e intermunicipais). No mesmo ano, no antigo Largo da Banana, foi inaugurado o Memorial da América Latina projetado por Oscar Niemeyer. Estas transformações trouxeram nova vida ao bairro. Muitas casas deram lugar a estabelecimentos comerciais, prédios de negócios se instalaram, imóveis antigos foram revitalizados. Em 1995, a Rede Record ali se estabeleceu e em suas proximidades o Parque Industrial Thomas Edison e o Centro Empresarial Água Branca, inaugurado em 2001.
                  No campo cultural e de entretenimento, além do Memorial da América Latina, o bairro possui um galpão de exposições onde funciona regularmente o Mercado Mundo Mix_que reúne confecções e artigos de decoração de novos designers, o Teatro São Pedro, datado de 1917, e o Parque de Diversões Playcenter. Nos arredores se localizam também o Shopping West Plaza, o Parque Antártica, o Galpão Fábrica, o Parque da Água Branca e o Sesc Pompéia. Além da Federação paulista de Futebol (foto)

24.08.06

Colher de chá para o nosso vizinho, o Sumaré!

S U M A R É:   Orquídea dá nome ao bairro
            Sumaré é o nome de uma orquídea também conhecida como "rabo de tatu". A grande e alta região do Sumaré pertencia, por volta do século 18, à Fazenda Pacaembu. A área era propriedade de um padre, que em testamento deixou-a para duas ocupações: a porção menor ficou para o colégio São Miguel, que a vendeu para a Companhia City, dos ingleses, que no local fizeram surgir o Pacaembu. A outra, maior, ficou com a Sociedade de Terrenos e
           Construções Sumaré Ltda., que a loteou já com o nome de Sumaré - paixão de um dos portugueses sócios (ele adorava orquídeas e achava a palavra &apos;sumaré&apos; linda. O fato é que o nome científico da planta é Cyrtopodíum pinctotum e seu habitat são as matas de São
Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás). 
             A partir de 1924 começaram os trabalhos de terraplanagem na área, e em 1928 foram postos à venda os primeiros lotes, todos vendidos. Em 1929 veio a grande crise do café. As vendas caíram e a região sofreu o baque, com gente sem pagar as prestações e um total desinteresse pela região - até a década de 1930 não havia nenhuma rua com asfalto. A partir dos anos 1930 uma igreja - a de Nossa Senhora do Rosário de Fátima - foi erguida no local, e como nos tempos passados a área cresceu em torno do templo.
           Nas décadas seguintes surgiram bem ao lado dois pequenos bairros. Um recebeu o nome Sumarezinho, que pertence ao distrito do Alto de Pinheiros, e o outro o nome de Jardim das Bandeiras, no distrito de Pinheiros. Sumarezinho foi homenagem ao nome Sumaré e Jardim das Bandeiras homenagem às bandeiras do Brasil e a de São Paulo. Em seguida, devido à altitude do local, foi erguida uma emissora de rádio, a Difusora PRF3, que em 1937 foi comprada pelo empresário Assis Chateaubriand, tornando-se embrião do império de comunicações Diários e Emissoras Associados, que por mais de cinquenta anos foi a maior rede de comunicações da América Latina.
            Tempos depois o progresso chegou para valer no bairro, e seu crescimento. Hoje as antenas do SBT, Rede TV!, TV Cultura e MTV rompem o céu do bairro.

História do Bairro de Perdizes

                                      

P E R D I Z E S,  aves batizam o bairro!

          Perdizes começa a aparecer na história da cidade a partir da última década do século 19 e entra na planta oficial da cidade apenas em 1897. Em 1850, a região era uma grande chácara de Joaquim Alves, um vendedor de garapa, que criava perdizes (a ave!)no seu quintal, local é perto de onde hoje é o largo Padre Péricles). Anos mais tarde a propriedade foi vendida e loteada. No entanto, a expressão "campo das perdizes" passou a denominar o bairro. A partir de 1905 o crescimento se instalou, e na década de 1940 o bairro se consolidou.
          De toda a região oeste de São Paulo, Perdizes é o bairro mais populoso, com 102.160 moradores, ou seja, 12,50% da população de toda a região oeste de São Paulo. É um dos bairros que mais atraem lançamentos imobiliários na cidade. São empreendimentos residenciais com unidades de três e quatro dormitórios, na maioria de alto padrão. São destinados a um público de classe média alta e classe alta.
           Entre maio de 1997 e abril de 2003, por exemplo, foram lançados nessa região da capital catorze novos condomínios residenciais, num total de 862 apartamentos, a maioria de três dormitórios.O público que escolhe Perdizes para morar é atraído pela localização privilegiada, próxima ao centro e à avenida Paulista. Por meio da marginal do rio Tietê, do Elevado Costa e Silva (o Minhocão) e de avenidas como Sumaré, Pacaembu e Francisco Matarazzo é possível chegar às mais diversas regiões da cidade com facilidade.
           As ruas arborizadas e a boa infra-estrutura de comércio e serviços também são fortes atrativos do bairro. Ruas como Cardoso de Almeida e Turiaçu concentram o comércio local, com lojas, farmácias, agências bancarias e supermercados.

A capela da PUC (foto) é uma das mais antigas construções do bairro.

Vila Pompéia II

As duas versões para o nome do bairro

                Há duas versões sobre o bairro de Vila Pompéia ter recebido este nome. A oficial já postada aqui é que, por volta de 1910, surgiu entre os bairros da Lapa e Água Branca um loteamento de responsabilidade da Companhia Urbana e Predial. O dono do empreendimento, Rodolpho Miranda resolveu homenagear o novo bairro como o nome da sua esposa, dona Aretusa Pompéia, batizando o novo bairro como Vila Pompéia.
                  A outra versão, menos aceita pelos historiadores, explica que, quando o bairro não existia, viviam em suas terras Cláudio de Souza e sua esposa Luiza Leite de Souza. O casal descobriu que a filha estava com uma doença incurável e durante uma viagem à Europa, visitaram o Santuário de Pompéia, na cidade de Pompéia, na Itália. Lá pediram à Virgem do Rosário a cura da filha. Logo receberam um telegrama informando que a filha havia sido curada. Em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, o casal ergueu uma capela no ponto mais alto da localidade onde moravam. A Capela ocupou o terreno Onde hoje esta a esquina da avenida Pompéia e rua Guiará, Com isso o local foi batizado com o nome de Vila Pompéia, como forma de agradecimento à santa.Lembrando, essa versão do batismo do bairro não é considerada verdadeira, embora o casal tenha realmente construído a capela.
                    Fazendo jus ao nome italiano, a ocupação da Vila Pompéia teve a predominância de imigrantes italianos, além de espanhóis, portugueses e húngaros. A presença italiana foi reforçada com a chegada do Palestra Itália e, antes, as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. A história do desenvolvimento da região, no entanto, está intimamente ligada à história da fixação dos padres camilianos no Brasil.
Suiça Paulista
                Como o bairro está situado em uma região montanhosa, a Vila Pompéia era conhecida como "Suíça Paulista". O local tinha muito verde, córregos como o Água Preta, hoje canalizado entre as ruas Diana e Cayowaá. Por acreditar que o ar da região era mais puro do que em outras partes da cidade, os padres doentes se instalaram no alto do morro, onde já existia a capela. O bairro não passava de um loteamento distante do centro da cidade. O único caminho transitável era a Avenida Pompéia. Além das poucas casas, só havia na região a capela.

23.08.06

Homenagem à Aretuza Pompéia deu nome à Vila

Vila Pompéia


            No início do século XX centenas de loteamentos surgiam para receber os novos moradores da cidade de São Paulo, antigas chácaras e sítios antigos eram loteados para abertura de ruas e contrução de casas. Por volta de 1910, Rodolpho Miranda, através da Companhia Urbana e loteou um faixa de terras entre a Lapa e os bairros de Perdizes/Pacaembu. Em homenagem à sua esposa, Aretusa Pompéia, batizou o novo bairro como Vila Pompéia. A ocupação do bairro teve a predominância de imigrantes italianos, portugueses, húngaros, espanhóis motivados pelas industrias próximas na Lapa, Vila Romana e Água Branca, além da proximidade da linha ferroviária e dos bondes na Francisco Matarazzo. Os terrenos tinham preços acessíveis e atraíram muitos imigrantes que fizeram a América trabalhando como operários. Uma das principais fábricas do bairro, a Gelomatic, desativada nos anos 60, oi a leilão, tendo sido arrematado pelo SESC. A transformação daquelas antigas instalações industriais em um pólo cultural e de lazer, com a criação do SESC-Fábrica Pompéia, projeto de Lina Bo Bardi. O bairro também recebeu os Camilianos com complexos Hospitalar e Educacional e, também, a Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia.