Perdizes / Pompéia / Pacaembu

Blog dedicado ao resgate da história dos bairros de Perdizes, Vila Pompéia, Pacaembu, Barra Funda, Vila Romana, Lapa e Sumaré, na zona Oeste da cidade de São Paulo. Bairros que cresceram e esqueceram sua história...

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Arquivo de: Setembro 2006

13.09.06

Imprensa confirma venda do prédio sede do Batista

 

2007

 Batista completará 105 anos e construirá novo prédio para abrigar áreas administrativa e pedagógica  

          O boato já corria o bairro e foi confirmado aos pais de alunos do Colégio Batista. Agora a grande imprensa começa a divulgar a venda do prédio sede, o mais antigo do complexo educacional, para a construtora Exto Engenharia. A construção tem 83 anos e não foi tombada pelo patrimônio histórico. O que a deixa passível da demolição. Mas este não é o fim do colégio, mas o seu ressurgimento. E 2007, quando o colégio completar 105 anos, ganhará um novo e moderno prédio que abrigará não apenas a administração, mas também um novo bloco educacional e esportivo.

Veja a íntegra da matéria

ESTADO DE SÃO PAULO - METRÓPOLE - 13/9/2006

Colégio centenário vende área para prédios de luxo em Perdizes
Dívidas obrigam o Batista Brasileiro a repassar parte de seu terreno para construtora


Sérgio Duran

          O prédio de linhas clássicas do Colégio Batista Brasileiro, que marcou durante quase 84 anos a paisagem de Perdizes, na zona oeste de São Paulo, está com os dias contados. Para pagar dívidas acumuladas na última década, a instituição de 104 anos decidiu vender a parte da frente do terreno, que ocupa uma das quadras mais valorizadas do bairro, à construtora Exto, especializada em alto padrão.

           O negócio foi fechado há cerca de 30 dias. Segundo o diretor do colégio, Gésio Medrado, foram vendidos os 6.200 m2 que ocupam a frente do terreno voltada para a Rua Doutor Homem de Melo. Medrado não informou o valor da transação. Segundo o Estado apurou, foram de R$ 14,5 milhões.

            Após a venda, o Colégio Batista permanecerá com cerca de 15.800 m2 de terreno, onde ficarão instaladas a Igreja Batista de Perdizes, a Faculdade Teológica Batista e a própria instituição. De acordo com o diretor, o negócio possibilitará ao colégio saldar todas as dívidas e ainda investir na construção de instalações mais modernas.

          A demolição do prédio antigo não tem data marcada, mas deve ocorrer neste ano. Roberto Matos, diretor da Exto, afirma que a construtora não fará nada enquanto os três órgãos de proteção ao patrimônio histórico - municipal, estadual e federal - não se manifestarem. 'Temos, inclusive, uma cláusula no contrato que condiciona o pagamento pelo terreno à aprovação', disse Matos.

           Segundo o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat), apesar de muito antigo e de guardar parte da história de Perdizes, o edifício do Colégio Batista Brasileiro não é tombado. Há uma requisição solicitando o tombamento, que deu entrada há um mês no conselho, sem ter sido analisada ainda.

          Entre os vários critérios usados para o tombamento, o que impediria a demolição, está o fato de a construção ser exemplar de algum estilo arquitetônico importante ou de ter sido palco de acontecimentos históricos. Não é o caso do Batista.

            O que pesa na decisão é mais o valor afetivo que uma instituição centenária, que hoje assiste a 2.500 alunos, representa para parte considerável dos paulistanos. 'Não tivemos muitas alternativas', afirma o diretor, também ex-aluno do Batista.

         O investimento na construção de uma faculdade, que acabou não dando certo, foi o que detonou a crise da instituição. Outras alternativas foram testadas, como, por exemplo, vender outra parte do terreno e não a ocupada pelo antigo edifício. Ocorre que o valor a ser pago seria muito menor e não daria nem para pagar a reforma do prédio.

            'Por isso, apoiamos a decisão. É uma perda, sem dúvida, mas estamos pensando no bem-estar das crianças. O salão nobre, por exemplo, é lindíssimo, mas está muito mal', disse a secretária executiva Adriana Armiliato Gonzalez, mãe de uma aluna da sétima série. Adriana liderou um grupo de pais para acompanhar a transação. Do piso às paredes, o prédio do colégio foi muito modificado. 'O custo de mantê-lo acabou ficando caro para nós, além de pouco funcional', explicou Medrado.

Mudança de Planos: Após o pedido de Tombamento pelo Compresp, o prédio histórico do Colégio Batista será preservado. Outra parte do colégio será utilizada para a construção dos condomínios da EXTO.

03.09.06

Matarazzo, Superbom e Bourbon

      

Essa imagem ainda está fresca na memória, mas logo desaparecerá...

    Será que alguém lembra? O Shopping Center  Matarazzo, um dos mais antigos da cidade, contava com um imenso chafariz que lançava água muito alto, ainda mais para mim, um garotinho. O legal é que tinha sincronia com luzes coloriadas, coisa fina na época. Largas rampas de acesso por onde desciam  alguns carrinhos de supermercados descontralados, de alguma senhorinha desatenta. Algumas poucas lojas, um cinema (que pouco durou) e o supermercado que já não lembro o nome, chamava-se Matarazzo, depois virou Superbom e, ainda mudou para Jumbo  ou Baleia?, algo assim.. Por último, virou Sonda, que muitos moradores tem a mania de chamar SondaS, acho que por causa do falido SendaS, que virou uma filial da Leroy Merlyn, lá na marginal Tietê. O Superbo não tinha concorrência próxima e nada para fazer no bairro era legal 'dar um rolê' , com apenas duas duzias de lojas, mas até o nome era chique. Depois criaram lojas no meio dos corredores, ele inchou um pouquinho.  Na época,  a onda era vestir 775 ou OP, depois surgiram as marcas genéricas OM, OI, OA. Tênis era Rainha... Iate ou Montecar... Esses ninguém esquece..

               É verdade,  lá não se tinha nada para se fazer, mas todo mundo ia ... igual aos outros shoppings de hoje, muita gente andando sem motivo.  Namorados não podiam se beijar, que logo chegava um segurança e advertia. Além disso ficava de plantão ao lado, no máximo, permitia mãos dadas. Por volta de 1986, ou 1987, chegou o Mc Donalds, daí o espaço movimentou e lá se podia finalmente beijar, tinha gosto de Bic Mac, mas tudo bem... O Jack na avenida Sumaré, que virou Bobs, era muito melhor! 

         O tempo passou e com a chegada do West Plaza o antigo shopping agonizou, uma pista de patinação no gelo e uma loja do Sonda Supermercados garantiam o pouco movimento. A pista fechou, o shopping foi a leilão e o Sonda também fechou...

          A Cia. Zaffari, antiga concorrente do Sonda no Rio Grande do Sul foi quem arrematou o prédio que o rival alugava, o nome mudou para Bourbon, terminadas as pendengas jurídicas, os proprietários demoliram as antigas instalações e  estão erguendo um novo e moderno empreendimento que será inaugurado em 2007. Cinemas, teatro, um supermercado e lojas refinadas prometem atrair a classe média endinheirada. O supermercado deve ser requintado, coisa pra deixar o Pão de Açúcar uma loja popular. Este será o troco a West Plaza, que ficará só com duas salinhas de cinema. E coitado do Shopping Pompéia Nobre, um natimorto,  nasceu morto, em nenhuma época vi todas as lojas ocupadas, terá qual fim? Tomara que as enchentes do local também terminem com o 'piscinão' que o Shopping está contruindo.

        A maquete do novo Shopping pode ser vista do outro lado da rua Turiassu, bem ao lado da Pastelaria Brasileira, essa é do tempo do Shopping Matarazzo e, ainda resiste vendendo salgados, pastel e caldo de cana isso já foi uma febre na cidade, antes do Fast Food, a onda era Pastel e Caldo de Cana... velhos tempos...

02.09.06

Colégio BaPtista Brasileiro


    

           O Colégio BaPtista Brasileiro, com a letra ‘Pê’ antes do ‘Tê’, inaugurou sua sede em Perdizes em 1923, para onde o Colégio se transferiu em definitivo. O prédio de 83 anos é um dos mais antigos do bairro, com estilo clássico, linhas austeras e uma fachada imponente. O pé-direito altíssimo é de impressionar, assim como os jardins com árvores frondosas. Um canhão, com o símbolo da Coroa Portuguesa, está no tanque de areia no playground onde reina esquecido, sendo utilizado pelas crianças em suas brincadeiras.
História
          A fundação do Batista se deve ao casal William Bucky e Anne Luther Bagby, missionários americanos que depois de atuarem dois anos na Bahia, 18 no Rio de Janeiro chegaram à cidade de São Paulo. Na época, segundo recenseamento a cidade possuía 108 indústrias, 70 estrangeiras e 38 brasileiras e vivia um tempo de riquezas e desenvolvimento. A família Bagby foi residir próximo da recém-inaugurada Estação da Luz, na época uma das maiores e mais impressionantes obras arquitetônicas do mundo.
             A idéia fundar um colégio surgiu de uma carta enviada pelo presidente Campos Salles, que revelou que sua família tinha sido educada em escolas evangélicas. Mary McIntyre, em conversa informal com Anne, manifestou sua disposição em vender sua pequena escola particular primária por U$ 3 mil dólares, transferindo as despesas do aluguel. Assim, no dia 10 de janeiro de 1902, fundou-se o Colégio Progresso Brasileiro, na Alameda dos Bambus, 5, no Centro, com 32 alunos. Em situação difícil, a receita mal cobria as despesas, apesar dos modestos ordenados dos professores, o casal decidiu realizar uma ampla reforma na casa para oferecer atividades do jardim de infância, para aumentar a renda da escola. O esforço afastou a crise, novos alunos chegaram, era a única escola infantil particular da cidade.
               Em 1922, a organização missionária americana Junta de Richmond, transferiu a administração do colégio e a responsabilidade pelo término das obras da nova sede no bairro de Perdizes, imóvel adquirido com recursos obtidos em uma campanha realizada entre Batistas do Texas (EUA). Em 1923, o prédio de Perdizes foi inaugurado e o colégio se transferiu definitivamente, adotando o nome atual Ba(p)tista Brasileiro. Desde 1939, a responsabilidade pela administração pertence à Convenção Batista do Estado de São Paulo.
Transporte
          O serviço de transporte de alunos foi inaugurado em 1908. Inicialmente o carro foi dispensando, cocheiro em uma charrete realizava o serviço. Anos mais tarde, o automóvel foi se tornando comum na cidade e a escola adquiriu um ônibus de fabricação especial para prestar esse serviço de forma mais eficiente.
105 anos
             Em 2007 o colégio completará 105 anos de sua fundação, serão 84 em Perdizes, para onde se mudou 19 anos após ser instituído. A compra da área ocorreu em 1922, através da organização missionária americana ‘Junta de Richmond’, com recursos obtidos em uma campanha realizada entre os Batistas texanos ligados à Convenção Batista Brasileira. A administração do Colégio e a responsabilidade das obras do novo imóvel adquirido. Desde 1939, a responsabilidade pela administração pertence à Convenção Batista do Estado de São Paulo.